23/3/2021 - LONDRINA -

Londrina: a quarta maior cidade do Sul



Londrina está localizada a 183 quilômetros de Campo Mourão. Tem 569 mil 733 habitantes. É a segunda maior cidade do Paraná. A quarta maior da região Sul (Curitiba, Porto Alegre e Joinville). A diferença para Joinville é de apenas 20 mil moradores e figura na posição 38 entre as maiores do Brasil. Porém, o aglomerado urbano devido as cidades próximas, eleva a população da área em mais de 1 milhão de moradores.




Mais de 90 por cento de Londrina tem rede de esgoto. A taxa de escolarização de crianças de 6 a 14 anos é de 98 por cento. Tem o 13ª melhor salário médio do Paraná. Em PIB per capita figura em 103º no Estado.



Até 1920, o território onde está o município de Londrina, era uma extensa floresta inexplorada. A região começou a ser ocupada entre 1904 e 1920 por famílias que sairam de Minas Gerais e São Paulo. Em 1924, a Compahia de Terras Norte do Paraná, subsidiária de uma empresa inglesa, comprou do Governo paranaense, extensas áreas de terra.



O objetivo da empresa inglesa era abrir campos para o cultivo de algodão. O empreendimento fracassou, devido aos preços baixos e à falta de sementes sadias no mercado, obrigando a uma mudança nos planos. Foi criada, assim, em Londres, a Paraná Plantations e sua subsidiária brasileira, a Companhia de Terras Norte do Paraná, que transformaria as propriedades do empreendimento frustrado em projetos imobiliários.




A Companhia utilizou a frase: “a mais notável obra da colonização que o Brasil já viu”. Isso por causa da repartição dos terrenos em lotes relativamente pequenos. Os ingleses promoveram, desta forma, uma verdadeira reforma agrária, sem intervenção do Estado, oferecendo aos trabalhadores sem posses a oportunidade de comprarem os pequenos lotes, já que as modalidades de pagamento eram adequadas às condições de cada comprador. O sistema estimulou muito a concentração da produção – principalmente cafeeira, a explosão demográfica. e o aparecimento de classes médias rurais.




O projeto de colonização, além disto, trouxe outras inovações, como a propaganda em larga escala, transporte gratuito para os colonos, posse das terras em quatro anos, alguma assistência técnica e financeira, levantamento de toda a área e até o mapeamento do solo em algumas zonas.




Londrina surgiu em 1929, como primeiro posto avançado do projeto inglês. Na tarde do dia 21 de agosto de 1929, chegou a primeira expedição da Companhia de Terras Norte do Paraná ao local denominado Patrimônio Três Bocas, no qual o engenheiro Alexandre Razgulaeff fincou o primeiro marco nas terras onde surgiria Londrina. O nome foi uma homenagem prestada a Londres – “pequena Londres”, por João Domingues Sampaio, um dos primeiros diretores da Companhia.




Londrina foi elevada a categoria de município em 3 de dezembro de 1934. Até então era distrito de Jataí. Londrina passou a contar com 5 distritos: Marilândia, Nova Dantzig, Rolândia, São Roque e São Sebastião. Mais tarde os distritos foram emancipando. Nova Dantzig é a atual Cambé. São Roque é agora Tamarana e Marilândia é o distrito de Ararauva. E São Sebastião passou a pertencer a Apucarana, hoje município de Faxinal.




O traçado urbanístico de Londrina é do urbanista Jorge Macedo Vieira, seguindo o princípio de Ebenezer Howard de cidade-jardim (mesmo sistema adotado pela Companhia em Maringá). Londrina foi considerada a Capital Mundial do Café. A partir dos anos 70, o perfil foi mudando para centro industrial e econômico. A "Geada Negra" em 1975, dizimou os cafezais do Paraná. Londrina perdeu o posto mas já tinha desenvolvido um crescimento urbano razoável com indústrias, universidades e prestação de serviços.




O Lago Igapó é o cartão de visitas de Londrina. Igapó significa transvazamento de rios. O Lago foi projetado em 1957, como uma solução para o problema da drenagem do ribeirão Cambezinho, dificultada por uma barragem natural de pedra. Inicialmente pensou-se em dinamitar a barragem, mas prevaleceu a ideia de formar um lago.O Igapó foi inaugurado em 10 de dezembro de 1959. Tem o projeto paisagístico de Burle Marx. Próximo ao Lago, surgiu a Gleba Palhano. É um bairro de luxo, com mais de 60 torres residências, e 15 condomínios horizontais, formando um bairro com aglomerado de grandes edifícios e condomínios fechados. Até 1990, a Gleba Palhano, era uma imensa fazenda aberta pelo agrimensor Mábio Gonçalves Palhano, que juntamente com seus irmãos tinham mais de 1.200 alqueires . O narrador esportivo Galvão Bueno, mora em uma dessas áreas.




O Jardim Botânico de Londrina tem mais de 1 milhão de metros quadrados de mata nativa, nascentes e rios. Foi criado em março de 2006, pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos. É uma das mais importantes unidades de pesquisa e conservação de espécies nativas e exóticas no Paraná. É voltado à proteção e cultivo de espécies silvestres raras, ameaçadas de extinção, ou econômica e ecologicamente importantes para a restauração e reabilitação de ecossistemas.




O Jardim Botânico fica afastado da cidade, com entrada pela Rodovia Celso Garcia Cid. É muito utilizado pelas famílias aos finais de semana. Durante a nossa visita a grande estufa não tinham plantas. O espaço destinado ao visitante estava fechado. Embora muito bonito, ficou a impressão que o local estava abandonado.




O Calçadão de Londrina, foi inaugurado no dia 10 de dezembro de 1977. Vai da antiga prefeitura, na rua Minas Gerais, até a praça Gabriel Martins. A construção fazia parte do Projeto Centro e foi elaborada pelo arquiteto curitibano Jaime Lerner. A maioria dos edifícios que margeiam o local são antigos, alguns inclusive da década de 50.




A obra do calçadão foi polêmica. O município alegava segurança aos pedestres na região mais movimentada da cidade. Os contrários diziam que o calçadão iria prejudicar o comércio. Visitando algumas lojas, percebemos que após mais de 40 anos, alguns ainda criticam, mas a maioria defende. Uma das reclamações é por mais cuidados por parte da prefeitura. O calçamento em petir pavet (mais bonito) foi trocado. Ao longo dos anos o coreto também foi retirado. O movimento não é o mesmo dos anos 80 e 90. Talvez por causa dos shoppings, os bares badalados não estão mais ali. Hoje o local praticamente se resume a lojas e agências bancárias. "Falta mais alegria".




A Catedral Metropolitana de Londrina está no ponto considerado mais alto da cidade. O primeiro templo foi inaugurado em 1934. Passou por outras adaptações. Em 1953, devido à necessidade de ampliá-la foi encomendado um anteprojeto ao engenheiro alemão Freckmann. A nova igreja teve as obras iniciadas em 1954. Em 1962 as obras foram paralisadas por questões financeiras. Foram retomadas apenas em 1966 através de um novo projeto dos arquitetos Eduardo Rosso e Yoshimasi Kimati. Foi inaugurada em 17 de Dezembro de 1972.




A Catedral é dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. O monumento tem um formado de chalé. Falta estacionamento para quem quer conhecer. O jeito é pagar estaciomento particular. As praças ao redor merecem mais atenção.




Londrina é uma cidade bem servida por hotéis. O da foto acima é parecido com um navio. Aliás tem até o nome de um famoso navio, o "Blue Tree".




Um outro hotel, perto da Catedral tem elevador panorâmico no interior.




Londrina tem quase 400 mil veículos. Sem contar a intensa movimentação dos automóveis de pessoas de fora. Congestionamento é o que não falta por lá. Os trechos mais problemáticos são a Rua Sergipe, Avenida Higienópolis, Avenida Rio Branco e Madre Leônia Milito que dá acesso ao Shopping Catuaí, o maior do interior do Paraná.




Em Londrina é possível encontrar quase tudo. Até esse automóvel Porsche, por pouco mais de 400 mil reais. Entre as pessoas que nasceram em Londrina estão: Arrigo Barnabé, Giba (jogador de volei), atriz Maria Cândido e o filósofo Mário Sérgio Cortela.




A Expo Londrina é uma feira agroindustrial realizada em abril pela Sociedade Rural do Paraná. Atrai pessoas de todas as regiões do Brasil e do exterior. É anunciada como a maior feira agroindustrial da América Latina.




Muitas revendedoras de veículos na Expo-Londrina. As revendas de veículos apresentavam grandes descontos para produtores rurais, mas essa redução de preços não valia para os demais consumidores.




Em várias barracas de alimentação tem música ao vivo. O repertório é sertanejo ou nordestino. Um problema sério na exposição de Londrina (2019) é que não existe sistema único de som. Cada barraca tem seu equipamento, o parque tem o dele, os estantes das emissoras de rádio fazem suas programações, o leilão tem outro. Cá entre nós, uma bagunça o sistema sonoro. Quando alguém perde a chave do veículo ou precisa encontrar uma criança não tem a quem recorrer.




A atração que mais emocionou na Expo-Londrina 2019, foi a da Esquadrilha da Fumaça. Quem estava no parque sábado (13/04/2019) à tarde, parou o que fazia para assistir ao espetáculo.




Fundada em 4 de setembro de 1951, a Biblioteca Muncipal de Londrina conta com acervo de mais de 100 mil itens entre livros, jornais e periódicos. Seu nome é uma homenagem ao professor Pedro Viriato Parigot de Souza. Instalada no prédio do antigo Fórum de Londrina desde 1984.




No Edifício América, um dos primeiros de Londrina está o "Relojão". Foi instalado na década de 60 pela Fábrica de Relógios Dimep de São Paulo. É um dos maiores do país, com 6,50 m de comprimento por 6,50 m de largura. Os ponteiros maiores medem 3 metros.


Londrina: parte 5



Em nossa oitava viagem à Londrina visitamos mais alguns pontos pontos turísticos e históricos não mencionados nas quatro partes anteriores. Londrina é uma cidade repleta de atrações e com certeza mais viagens serão realizadas para completar o nosso especial.




A Rua Benjamin Constant é uma das vias mais antigas de Londrina. Até hoje é possível observar prédios construídos nos anos 50 e 60. Os prédios, a maioria fechados, estão situados no centro da cidade e passar por essa rua é fazer uma viagem no tempo.




Londrina faz várias homenagens aos imigrantes japoneses. Além da praça perto do Aeroporto que é uma réplica da existe em Kioto, em 2008 foi inaugurada a Praça Tomi Nakagawa. Trata-se de uma homenagem aos 100 anos da imiagração japonesa ao Brasil.




A Praça Tomi Nakagawa se destaca pelo piso em forma de mosaíco e um chafariz. A vegetação também é a existente nas principais praças do Japão. O local é repleto de símbolos da cultura japonesa.




O Planetário de Londrina foi construído em 1992. Faz parte da Universidade Estadual (UEL), mas foi edificado pela prefeitura. São 232 metros quadrados com sala de projetção de 8 metros de diâmetro e capacidade para 43 expectadores por sessão. O planetário simula o céu visível de qualquer ponto sobre a superfície da Terra e em qualquer data. Durante nossa visita estava fechado por causa da pandemia.




A antiga Estação Ferroviária de Londrina é hoje o Museu Histórico do município. O nome é em homenagem ao padre Carlos Weiss. O prédio foi construído entre os anos de 1946 a 1949 e funcionou como estação até 1982.




Na parte dos fundos do agora Museu Padre Carlos Weiss, tem uma locomotiva da "Baldwin" e uma outra que servia para abastecimento. São 3 setores: Imagem e Som, com mais de 50 mil peças; o setor de objetos e a Biblioteca que reune documentos históricos. A exemplo do Planetário também estava fechado devido a pandemia.




Londrina adora uma feira livre. São várias opções. Aos domingos pela manhã o ponto de encontro é a feira realizada no centro, em frente a Praça Rocha Pombo, perto da antiga rodoviária.




Da Praça Rocha Pombo, onde acontece a Feira Livre, é possível observar os arcos da antiga rodoviária da cidade. Londrina teve várias rodoviárias e a dos arcos foi a primeira em alvenaria, sendo inaugurada em 1952 e considerada um marco na arquitetura da cidde. Encerrou as atividades em 1988, sendo substituída por outra bem maior e projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Atualmente a antiga rodoviária abriga o Museu de Arte.

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